terça-feira, 13 de agosto de 2013



“Vem cá, amor, me dá um beijo. Pra mim o seu olhar tem ondas feito o mar.” Foi com esses versos que Marina (atual Marina Lima) convidou a todos para ouvirem “Olhos Felizes” de 1980, seu segundo álbum. Estamos enfim na década de 80 quando a música pop brasileira irá se sagrar assim como o rock Brasil e Marina será figura de destaque em ambos, aliás, vai ser nesse período que Marina viverá o ápice do seu sucesso.

Após uma boa estréia com o álbum “Simples como Fogo”, a cantora deixou a gravadora WEA e se transferiu para a Ariola, que hoje faz parte do catálogo da Universal Music. Com grande parte das canções compostas por Marina e seu irmão Antonio Cícero foi com esse álbum que Marina teve seu primeiro sucesso com repercussão nacional: “Nosso estranho amor”. Um dueto com Caetano Veloso, que também compôs a canção. Considerado pela cantora um álbum linear em termos de sonoridade, Olhos felizes é um de seus trabalhos mais agradáveis. Romântico, positivo e feliz. O rosto de Marina totalmente impresso ocupando toda a capa do LP com um sorriso tímido, porém revelador de uma felicidade enorme. Esse é o clima do álbum que já fica escancarado na primeira canção, “Olhos felizes”: eu gosto de olhar o mundo, não ligo pro que dizem, meus olhos são felizes, diz Marina na canção. Marina está feliz, de bem consigo e consequentemente vê as coisas de uma forma mais positiva. Até o arranjo da música traduz isso. Um sambinha extremamente compassado e dançante.


 Em “Só você”, uma canção solar, ela se declara que vive apenas para um ser e em “Rastros de luz” ela está ainda mais apaixonada. A ponto de se entregar por caminhos lascivos para chamar a atenção daquele que sequer a vê e que ainda assim ela se mantém muito por perto, uma forma primária de cantar o altar no escuro, talvez. Mas não amor sem dor e nem amor que se esqueça. Em “O amor que eu não esqueço” Marina está lamentando a perda desse amor. A dúvida do que levou ao fim, os choros da madrugada e o desejo da volta, está tudo nessa balada feita para se dançar de rosto colado. Mas quem disse que, apesar disso, não se pode ter uma “Doce vida” e se viver feliz, livre, poder fazer o que quiser independente das situações? É esse o recado dessa canção composta por Rita Lee. O disco teve os arranjos produzidos por Lincoln Olivetti e participação de Robson Jorge na faixa “As vezes com quem amo”. Sabendo que esses dois são praticamente lendários para a contribuição da influência do West Coast Sound dentro da MPB, “Olhos Felizes” é um luxo no gênero e uma pérola na discografia da cantora Marina Lima.

Track List:


  1. Olhos Felizes
  2. Nosso Estranho Amor
  3. Só Você
  4. Rastros de Luz
  5. Amor Que Não Esqueço
  6. Doce Vida
  7. Seu Sabão
  8. Corações a Mil
  9. Meu Menino, Dorme
  10. Às Vezes Com Quem Eu Amo

                                                                      

2 comentários:

  1. Marina Lima é ótima cantora. Depois flertou com a música eletrônica, mas parece que está meio que no ostracismo. Pena.

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  2. "Corações a Mil" é uma balada radiante! A cara de uma década que só visava a felicidade risonha. Disco bom, cantora incrível!

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