“Vem cá, amor, me dá um beijo.
Pra mim o seu olhar tem ondas feito o mar.” Foi com esses versos que
Marina (atual Marina Lima) convidou a todos para ouvirem “Olhos
Felizes” de 1980, seu segundo álbum. Estamos enfim na década de 80
quando a música pop brasileira irá se sagrar assim como o rock Brasil e Marina
será figura de destaque em ambos, aliás, vai ser nesse período que Marina
viverá o ápice do seu sucesso.
Após uma boa estréia com o álbum “Simples
como Fogo”, a cantora deixou
a gravadora WEA e se transferiu para a Ariola, que hoje faz parte do catálogo
da Universal Music. Com grande parte das canções compostas por Marina e seu
irmão Antonio Cícero foi com esse álbum que Marina teve seu primeiro sucesso
com repercussão nacional: “Nosso estranho amor”. Um dueto com Caetano Veloso,
que também compôs a canção. Considerado pela cantora um álbum linear em termos
de sonoridade, Olhos felizes é um de seus trabalhos mais
agradáveis. Romântico, positivo e feliz. O rosto de Marina totalmente impresso
ocupando toda a capa do LP com um sorriso tímido, porém revelador de uma
felicidade enorme. Esse é o clima do álbum que já fica escancarado na primeira
canção, “Olhos felizes”: eu gosto de olhar o mundo, não ligo pro
que dizem, meus olhos são felizes, diz Marina na canção. Marina está feliz, de bem
consigo e consequentemente vê as coisas de uma forma mais positiva. Até o
arranjo da música traduz isso. Um sambinha extremamente compassado e dançante.
Em “Só
você”, uma canção solar, ela se declara que vive apenas para um ser e em
“Rastros de luz” ela está ainda mais apaixonada. A ponto de se entregar por
caminhos lascivos para chamar a atenção daquele que sequer a vê e que ainda
assim ela se mantém muito por perto, uma forma primária de cantar o altar no
escuro, talvez. Mas não amor sem dor e nem amor que se esqueça. Em “O amor que
eu não esqueço” Marina está lamentando a perda desse amor. A dúvida do que
levou ao fim, os choros da madrugada e o desejo da volta, está tudo nessa
balada feita para se dançar de rosto colado. Mas quem disse que, apesar disso,
não se pode ter uma “Doce vida” e se viver feliz, livre, poder fazer o que quiser
independente das situações? É esse o recado dessa canção composta por Rita Lee.
O disco teve os arranjos produzidos por Lincoln Olivetti e participação de
Robson Jorge na faixa “As vezes com quem amo”. Sabendo que esses dois são
praticamente lendários para a contribuição da influência do West Coast Sound
dentro da MPB, “Olhos Felizes” é um luxo no gênero e uma pérola na discografia
da cantora Marina Lima.
Track List:
- Olhos Felizes
- Nosso Estranho Amor
- Só Você
- Rastros de Luz
- Amor Que Não Esqueço
- Doce Vida
- Seu Sabão
- Corações a Mil
- Meu Menino, Dorme
- Às Vezes Com Quem Eu Amo

Marina Lima é ótima cantora. Depois flertou com a música eletrônica, mas parece que está meio que no ostracismo. Pena.
ResponderExcluir"Corações a Mil" é uma balada radiante! A cara de uma década que só visava a felicidade risonha. Disco bom, cantora incrível!
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